quinta-feira, 16 de junho de 2016

Contos de Fada: um breve panorama



Os contos de fada possuem uma origem incerta. São parte da tradição narrativa oral de diversas culturas, reconhecidos em textos antigos das sociedades gregas e egípcias, mas encontrados em especial na cultura céltica, cujas versões serviram de base para grande parte das histórias que conhecemos hoje como contos de fada clássicos.
São fortemente caracterizados pela presença de magia e encantamento, com criaturas folclóricas, reinos, cavaleiros, animais falantes, fadas, bruxas, entre outros, e marcados pela presença de um herói que possui um objetivo a conquistar e uma série de obstáculos em seu caminho. O encantamento não se restringe apenas à fantasia, mas também ao modo como a narrativa cria uma versão aumentada da realidade, um fator que se torna cada vez mais importante do que os elementos fantasiosos das histórias clássicas, principalmente nas histórias mais contemporâneas.
As versões originais sofreram diversos processos de adaptação ao longo do tempo. Nelas, já era possível perceber que muitos contos de fadas possuíam a função de transmitir valores morais e éticos e alertar sobre problemas da vida real, trabalhando conceitos de bem e mal, heróis e vilões, empatia e estranhamento. Era frequente também a presença de violência, sexualidade, trabalho, entre outros temas, que, no geral, ainda percebemos na base das histórias contadas atualmente, pois não havia comprometimento com a infância, e sim com o papel comum para adultos e crianças presente nas sociedades da época. Há, então, a indicação de que os contos contam um pouco da história dos povos que os cultivaram, os utilizando como forma de passar adiante momentos críticos e as lições que trouxeram para a comunidade, além de definir papéis sociais e crenças.  
As maiores alterações sofridas pelos contos de fadas ocorreram, principalmente, pela criação do conceito de infância e o entendimento de que deve existir uma divisão social mais clara sobre a distribuição de funções e de conhecimento de mundo para cada faixa etária, e, assim, que crianças devem ser poupadas de alguns assuntos que não compreenderiam com tanta facilidade ou que seriam considerados imorais.  Alguns dos responsáveis mais notáveis por essas adaptações foram os Irmãos Grimm, H.C Andersen e Charles Perrault.
Os contos de fada também se tornaram uma parte importante da formação da criança no sentido psicológico. O pouco conhecimento de mundo de uma criança nem sempre permite que os problemas enfrentados no dia a dia sejam processados de forma consciente e racional,  o que gera ansiedades e dificuldade em comunicar os sentimentos que as causam. A linguagem do imaginário fantástico dos contos de fada dialoga com a visão que a criança possui do mundo ao seu redor, que também não é lógico aos seus olhos. A criança consegue se colocar no papel dos personagens e heróis, e visualizar seus próprios problemas nos que são trabalhados nos contos, dividindo as aflições e os percebendo de forma menos solitária.  Isso ocorre, geralmente, de forma não consciente, a criança percebe apenas o bem estar relacionado às histórias e as conexões que realiza entre o mundo imaginário e o real.
A presença de grandes problemas e vilões terríveis ajudam a criança a ter outro ponto de vista sobre os próprios problemas e vilões, que são muitas vezes sentimentos confusos nas relações sociais e familiares. Uma história extraordinária acaba por demonstrar o quanto a realidade pode ser amena.

Bibliografia:
BETTELHEIM, B. Psicanálise dos contos de fadas. 9. ed. Trad. Arlene Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SCHNEIDER, Raquel Elisabete Finger; TOROSSIAN, Sandra Djambolakdijan. Contos de fadas: de sua origem à clínica contemporânea. In: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1677-11682009000200009&script=sci_arttext>. Último acesso em: 16/06/2016.
SALES, Gutemberg Martins de. Literatura infantil e os contos de fadas na construção de valores e formação das crianças. In: <http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/literatura-infantil-e-os-contos-de-fadas-na-construcao-de-valores-e-formacao-das-criancas-4823064.html>. Último acesso em: 16/06/2016.


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