Os contos de fada possuem uma origem
incerta. São parte da tradição narrativa oral de diversas culturas,
reconhecidos em textos antigos das sociedades gregas e egípcias, mas
encontrados em especial na cultura céltica, cujas versões serviram de base para
grande parte das histórias que conhecemos hoje como contos de fada clássicos.
São fortemente caracterizados pela
presença de magia e encantamento, com criaturas folclóricas, reinos, cavaleiros,
animais falantes, fadas, bruxas, entre outros, e marcados pela presença de um
herói que possui um objetivo a conquistar e uma série de obstáculos em seu
caminho. O encantamento não se restringe apenas à fantasia, mas também ao modo
como a narrativa cria uma versão aumentada da realidade, um fator que se torna
cada vez mais importante do que os elementos fantasiosos das histórias
clássicas, principalmente nas histórias mais contemporâneas.
As versões originais sofreram diversos
processos de adaptação ao longo do tempo. Nelas, já era possível perceber que
muitos contos de fadas possuíam a função de transmitir valores morais e éticos
e alertar sobre problemas da vida real, trabalhando conceitos de bem e mal,
heróis e vilões, empatia e estranhamento. Era frequente também a presença de
violência, sexualidade, trabalho, entre outros temas, que, no geral, ainda percebemos
na base das histórias contadas atualmente, pois não havia comprometimento com a
infância, e sim com o papel comum para adultos e crianças presente nas
sociedades da época. Há, então, a indicação de que os contos contam um pouco da
história dos povos que os cultivaram, os utilizando como forma de passar
adiante momentos críticos e as lições que trouxeram para a comunidade, além de
definir papéis sociais e crenças.
As maiores alterações sofridas pelos
contos de fadas ocorreram, principalmente, pela criação do conceito de infância
e o entendimento de que deve existir uma divisão social mais clara sobre a
distribuição de funções e de conhecimento de mundo para cada faixa etária, e,
assim, que crianças devem ser poupadas de alguns assuntos que não
compreenderiam com tanta facilidade ou que seriam considerados imorais.
Alguns dos responsáveis mais notáveis por essas adaptações foram os
Irmãos Grimm, H.C Andersen e Charles Perrault.
Os contos de fada também se tornaram uma
parte importante da formação da criança no sentido psicológico. O pouco
conhecimento de mundo de uma criança nem sempre permite que os problemas
enfrentados no dia a dia sejam processados de forma consciente e racional, o que gera ansiedades e dificuldade em
comunicar os sentimentos que as causam. A linguagem do imaginário fantástico
dos contos de fada dialoga com a visão que a criança possui do mundo ao seu
redor, que também não é lógico aos seus olhos. A criança consegue se colocar no
papel dos personagens e heróis, e visualizar seus próprios problemas nos que
são trabalhados nos contos, dividindo as aflições e os percebendo de forma
menos solitária. Isso ocorre,
geralmente, de forma não consciente, a criança percebe apenas o bem estar
relacionado às histórias e as conexões que realiza entre o mundo imaginário e o
real.
A presença de grandes problemas e vilões
terríveis ajudam a criança a ter outro ponto de vista sobre os próprios
problemas e vilões, que são muitas vezes sentimentos confusos nas relações
sociais e familiares. Uma história extraordinária acaba por demonstrar o quanto
a realidade pode ser amena.
Bibliografia:
BETTELHEIM, B. Psicanálise dos contos de
fadas. 9. ed. Trad. Arlene Caetano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SCHNEIDER, Raquel Elisabete Finger;
TOROSSIAN, Sandra Djambolakdijan. Contos de fadas: de sua
origem à clínica contemporânea. In: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1677-11682009000200009&script=sci_arttext>.
Último acesso em: 16/06/2016.
SALES, Gutemberg Martins de. Literatura
infantil e os contos de fadas na construção de valores e formação das crianças.
In:
<http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/literatura-infantil-e-os-contos-de-fadas-na-construcao-de-valores-e-formacao-das-criancas-4823064.html>. Último acesso em: 16/06/2016.

Nenhum comentário:
Postar um comentário